Rotatória ou semáforo: qual é a abordagem da sua empresa para promover a integridade?

Uma reflexão fundamental para a ética e o compliance nas empresas

No trânsito, há duas soluções para resolver uma intersecção: o semáforo ou a rotatória.

Elas partem de lógicas antagônicas.

O semáforo assume que as pessoas não são confiáveis para lidar com as intersecções por conta própria. Elas devem apenas seguir às regras de sinalização de maneira automática e irrefletida.

Já a rotatória parte do pressuposto de que as pessoas são confiáveis para fazer bons julgamentos. É uma solução que exige reflexão: os motoristas passam a ser responsáveis por sua segurança (e das demais pessoas) com base em uma única diretriz: a de que o veículo dentro da rotatória tem sempre a preferência.

Os semáforos são estáticos. As rotatórias são dinâmicas.

Os semáforos são controlados de maneira centralizada por centros de tráfego repletos de engenheiros que planejam, monitoram e reprogramam o tráfego por meio de algoritmos complexos quando há acidentes ou mudanças de cenário.

As rotatórias, por sua vez, funcionam com base na descentralização praticamente completa. Quando surgem cenários diferentes, assume-se que a coordenação social entre as pessoas e o bom senso serão suficientes para resolver essas situações adequadamente.

Os semáforos exigem uma parafernália tecnológica que inclui cabos, luzes, câmeras e interruptores. Já nas rotatórias, o monitoramento tecnológico é mínimo, quando existente.[i]

Qual é a melhor solução para as intersecções? O que dizem os números?

Agora, a questão que importa: Que alternativa funciona melhor em termos de segurança, fluidez e custos envolvidos? O que dizem os números?

Aí vem a primeira surpresa. A esmagadora maioria dos estudos mostra que as rotatórias são uma solução superior aos semáforos nesses três quesitos fundamentais.

Começando pela segurança. Estudos realizados nos EUA mostram que, nas rotatórias, ocorrem 75% menos colisões com feridos, 90% menos colisões fatais e 40% menos colisões com pedestres.[ii]

Por ser uma solução dinâmica em vez de estática, o trânsito também flui bem melhor nas rotatórias. Um estudo concluiu que a substituição de semáforos por rotatórias contribuiu para uma redução de 89% do tempo dos percursos e para um a redução de 56% do tempo dos veículos parados.[iii]

O terceiro quesito é o custo de manutenção. Por independer da tecnologia, o custo das rotatórias é muito menor. Nos EUA, estima-se que cada rotatória custe US$ 5.000 a US$ 10.000 a menos do que os semáforos por ano.[iv]

As rotatórias têm ainda outras vantagens. A primeira é que, quando falta energia, o trânsito dos semáforos tende a ficar caótico, enquanto o das rotatórias não é afetado. A segunda é que elas são ecologicamente mais corretas. Por evitar que os carros parem totalmente (momento de maior consumo do veículo), estima-se uma economia de combustível da ordem de 40%. A terceira é que elas são esteticamente mais bonitas: é possível colocar jardins, estátuas e fontes nas rotatórias, embelezando a paisagem.[v]

Qual é a mais popular?

Agora vem a segunda surpresa. Apesar da superioridade das rotatórias, os semáforos continuam a ser uma solução muito mais popular em praticamente todos os lugares. Nos EUA, por exemplo, existem 1.118 semáforos para cada rotatória![vi]

Por quê? Em grande medida, simplesmente porque estamos habituados aos semáforos.

Eles nos dão uma certa sensação de controle, já que passamos a independer do julgamento das pessoas. O pano de fundo dos semáforos, sem percebermos, é nossa premissa negativa sobre a capacidade decisória e a intenção das outras pessoas.

O paralelo com a ética e o compliance nas empresas

Há um evidente paralelo entre as soluções para os cruzamentos de trânsito e as soluções para promover comportamentos de integridade no mundo corporativo.[vii]

No caso da sua empresa, por exemplo:

§ Ela utiliza uma abordagem dos semáforos, baseada em regras absolutas e detalhadas a serem seguidas de maneira irrefletida com base em uma premissa negativa sobre as pessoas?

§ Ou ela utiliza uma abordagem das rotatórias, baseada em diretrizes gerais com margem para o julgamento individual caso a caso, a partir de uma premissa positiva sobre as pessoas?

Assim como o semáforo é a solução preferida na grande maioria dos lugares, a enorme maioria das empresas tentar promover a integridade pela abordagem dos semáforos.

Isto é, elas preferem enfatizar o compliance em vez da ética. A diferença reside na intenção por trás da ação. O compliance constitui um comportamento de conformidade a uma regra imposta por um agente externo para evitar uma punição ou conquistar uma recompensa. Já a ética representa uma motivação voluntária de fazer a coisa certa pelo desejo de se manter fiel a determinados valores, princípios e normas de conduta.

Contudo, como já dizia Peter Drucker, “procedimentos não são instrumentos de moralidade. Problemas de má conduta não podem jamais ser resolvidos por regramentos. O oposto também é verdadeiro. Uma conduta certa jamais pode ser estabelecida por um procedimento”.[viii]

Estamos habituados aos “semáforos” do compliance. Isto é, a exigir das pessoas comportamentos de conformidade irrefletidos exigidos de cima para baixo sob a ameaça de punições.

O fato de estarmos habituados a essa abordagem não significa que ela seja o melhor caminho para promover a integridade nas empresas.

Pelo contrário. Há poucas evidências de que a verdadeira “corrida armamentista” de gastos crescentes com compliance no mundo corporativo nos últimos anos tenha mudado comportamentos para valer. Com frequência, o resultado em sido fadiga com inúmeros treinamentos e até certo cinismo de executivos e colaboradores em relação ao tema.

Além de frequentemente improdutiva, a ênfase estrita no compliance causa um grave efeito colateral: ela retira a autonomia das pessoas e passa uma mensagem de desconfiança em relação à sua capacidade de julgamento, eliminando um componente essencial para nossa vitalidade e automotivação.

Não por acaso, estamos passando por uma grave crise de desengajamento e infelicidade no mundo corporativo que leva muitas pessoas a uma postura de passividade e distanciamento do trabalho. O impacto não é negativo apenas para os empregados: as empresas também sofrem prejuízos em termos de inovação e produtividade.

A solução: substituir os semáforos do “compliance” pelas “rotatórias” da ética

Assim como as rotatórias são uma solução claramente superior aos semáforos, o caminho da ética — no “vamos fazer o certo aqui porque isto é o certo a fazer” — é muito superior ao do compliance estrito.

Ao nos concentrarmos na ética, teremos automaticamente o “compliance” em relação às regulações e aos valores da organização. É um caminho natural. Por outro lado, nem sempre o foco estrito no compliance assegurará comportamentos éticos.

Investir nas “rotatórias” da ética, contudo, requer uma abordagem mais holística para o tema da integridade caracterizada por ao menos três mudanças fundamentais.

A primeira diz respeito à nossa expectativa sobre as pessoas. Em lugar de partir de uma premissa negativa que trata os empregados como crianças inconsequentes incapazes de decidir, é preciso partir de uma premissa positiva que trata os empregados como adultos responsáveis.

Inúmeras evidências demonstram que a esmagadora maioria das pessoas deseja fazer a coisa certa. Entre elas, estão diversos casos concretos de empresas que investiram na abordagem da ética e, há décadas, vêm comprovando que as pessoas tendem a responder positivamente quando suas lideranças transmitem confiança, bom exemplo e humanidade.[ix]

A segunda mudança de paradigma é evoluir do monitoramento centralizado top-down para o monitoramento descentralizado feito pelos próprios pares. Trata-se de uma estratégia muito mais barata e potencialmente mais eficaz do que tentar controlar as pessoas por meio de agentes externos ou superiores.[x]

A terceira mudança é estabelecer diretrizes gerais em vez de regras específicas. Isto significa manter os regramentos na quantidade mínima, não máxima. Também significa escrevê-los da maneira mais aberta possível, deixando espaço para o bom senso e o julgamento das pessoas vis-à-vis as situações enfrentadas no dia a dia.

Um dos melhores exemplos vem da Southwest Airlines, a única companhia aérea do mundo que reportou lucros por quase 50 anos consecutivos e há 26 anos na relação das empresas mais admiradas. Lá, os funcionários são orientados a fazer o que julgarem apropriado para proporcionar um melhor serviço, desde que obviamente isto não seja antiético ou ilegal.

Evoluir da ênfase em regras detalhadas para diretrizes gerais tende a gerar outros benefícios. No livro “Happy as a Dane”, a autora Malene Rydahl descreve uma experiência da rede de hotéis Hyatt. Inicialmente, os empregados eram obrigados a seguir 24 regras quando os hóspedes faziam o check-in. Eles se concentravam em seguir todo o check-list de maneira quase robótica. Essas regras foram então substituídas por uma única diretriz geral: “trate seus clientes como se fosse um hóspede na sua casa”. O resultado: o nível de satisfação dos clientes aumentou 80%![xi]

Apesar da evidência das vantagens de se confiar no julgamento das pessoas a partir de diretrizes gerais, esta recomendação ainda gera calafrios em muitas lideranças. Elas são viciadas na ideia de que tudo pode ser planejado e controlado — inclusive o mundo e as pessoas — e que precisamos de “semáforos” para tudo.

Justiça seja feita, a aversão à perspectiva de imprevisibilidade é uma característica humana. Aqui, vale citar outro paralelo interessante com o trânsito: nos locais em que semáforos foram substituídos por rotatórias, os habitantes inicialmente demonstraram preocupação, achando que o trânsito se tornaria mais caótico e perigoso. Posteriormente, as pesquisas mostraram que as pessoas rapidamente se adaptaram às rotatórias e passaram a considerá-las muito melhores do que os antigos semáforos.[xii]

Voltando ao mundo empresarial, a ideia de que podemos controlar tudo e todos é uma falsa ilusão. O máximo que podemos fazer é criar o melhor ambiente possível para despertar o melhor das pessoas, de maneira que se sintam estimuladas em fazer seu trabalho com excelência diariamente em sintonia com o propósito e os valores da organização.

A insegurança das lideranças em relação à obsessão pelo controle é, via de regra, o maior obstáculo para as empresas migrarem para uma abordagem centrada na confiança e na ética.

Evoluir de uma abordagem estrita no compliance e na desconfiança para a ética e a confiança não é, contudo, uma jornada trivial.

Ela exige três contrapartidas fundamentais: elevada transparência, prestação de contas e uma cultura de responsabilidade difundida em todos os empregados da organização.

Ela também requer investir na construção de uma cultura ética e na promoção de um estilo de liderança virtuoso em todos os níveis da organização orientada a um propósito mais amplo do que apenas fazer dinheiro.

Isto é fundamental porque, quanto mais saudável é a cultura de uma empresa e maior seu senso de propósito, menos ela precisará gastar para assegurar o compliance das regras (assim como menos ela precisará gastar com sistemas de incentivos financeiros para alinhar interesses e criar motivação).

Para as empresas que conseguirem realizar a travessia dos
semáforos do compliance para as rotatórias da ética, os benefícios serão enormes em termos de custo, engajamento, satisfação dos clientes, inovação e produtividade.

Sem dúvida, é uma jornada que vale a pena perseguir!

Prof. Dr. Alexandre Di Miceli da Silveira é fundador da Virtuous Company, uma consultoria de alta gestão dedicada a aportar conteúdo de ponta em ética empresarial, governança corporativa, cultura, liderança, diversidade, propósito e futuro do trabalho.

Dr. Di Miceli é autor dos livros “Empresiliente! Prosperando em um Mundo de Incertezas”, “The Virtuous Barrel: How to Transform Corporate Scandals into Good Businesses via Behavioral Ethics” “Ética Empresarial na Prática: Soluções para a Gestão e Governança no Século XXI”, “Governança corporativa: o Essencial para Líderes” (2a edição) e “Governança corporativa no Brasil e no Mundo: Teoria e Prática” (3a edição).

[i] Outra observação interessante é que as rotatórias representam o triunfo da cooperação sobre a competição: os veículos e as pessoas não ficam frente a frente em uma postura de confronto. Cada um deve ceder um pouquinho, de maneira que todos possam ir adiante.

[ii] Fontes: Washington State Department of Transportation, disponível em https://wsdot.wa.gov/Safety/roundabouts/benefits.htm. Os estudos foram feitos pela Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) e pela Federal Highway Administration. Esses resultados também são reportados pela The Economist (https://www.economist.com/leaders/2013/10/03/the-widening-gyre) e BBC (https://www.bbcamerica.com/anglophenia/2014/02/why-americans-dont-understand-the-roundabout). Vale a pena destacar que, quando ocorre uma colisão em uma rotatória, o ângulo da colisão tende a ser menor do que os choques em semáforos (muitas vezes frontais), diminuindo a severidade do impacto. Além disso, como a rotatória constitui um obstáculo visível, as pessoas tendem a reduzir a velocidade quando se aproximam dela, o que nem sempre ocorre nos semáforos. (The Guardian, disponível em https://www.theguardian.com/cities/2015/oct/19/traffic-lights-roundabouts-way-out). Para estudos científicos a respeito, veja Retting, R. A., Persaud, B. N., Garder, P. E., & Lord, D. (2001). Crash and injury reduction following installation of roundabouts in the United States. American journal of public health, 91(4), 628; Brilon, W. (2016). Safety of roundabouts: international overview (№16–0648).

[iii] Fonte: Washington State Department of Transportation, disponível em https://wsdot.wa.gov/Safety/roundabouts/benefits.htm. Os estudos foram feitos pela Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) e pela Federal Highway Administration.

[iv] Fonte: Washington State Department of Transportation, disponível em https://wsdot.wa.gov/Safety/roundabouts/benefits.htm. Os estudos foram feitos pela Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) e pela Federal Highway Administration. O custo de construção as rotatórias e dos semáforos é relativamente similar.

[v] Fonte: BBC. https://www.bbcamerica.com/anglophenia/2014/02/why-americans-dont-understand-the-roundabout. Embora existam poucos estudos feitos no Brasil, há evidências de que os mesmos benefícios se apliquem ao nosso país. Para mais informações, veja: Paulo Barbosa da Costa, J. (2010). Mini-rotatórias: contribuição na redução de conflitos em interseções urbanas (Master’s thesis, Universidade Federal de Pernambuco); Leite, C. E., & da Silva, P. C. M. Estudo da Substituição dos Semáforos por Mini Rotatórias Em Interseções Urbanas; Schuster, F. P., & Romão, M. N. P. V. (2013). O uso adequado de rotatórias como agente redutor da acidentalidade no trânsito. In 19º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito. Brasília, DF.

[vi] Fonte: Dignan, A. (2019). Brave New Work: Are You Ready to Reinvent Your Organization? Penguin UK.

[vii] Há também um paralelo interessante com a questão da governança corporativa. O Reino Unido, país em que a governança corporativa é baseada em princípios gerais a serem implementados de maneira customizada pelas empresas com base no “pratique ou explique”, curiosamente é o país com maior número de rotatórias do mundo por habitante. Já os Estados Unidos, país em que a governança corporativa é baseada em regulações e regramentos detalhados, historicamente se mostrou avesso às rotatórias. O cenário tem mudado nos últimos anos nos EUA, tendo em vista a superioridade cada vez mais evidente das rotatórias. O país dobrou o número de rotatórias de 2010 a 2015 e elas são a opção padrão para novos cruzamentos. Fonte: https://www.theguardian.com/cities/2015/oct/19/traffic-lights-roundabouts-way-out

[viii] Tradução livre do original: “The first common misuse of reports and procedures is the common belief that procedures are instruments of morality. They are not… Problems of right conduct can never be “proceduralized”; conversely, right conduct can never be established by procedure”. Fonte: Drucker. P. 2008. The Essential Drucker: The Best of Sixty Years of Peter Drucker’s Essential Writings on Management. Ed. HarperBusiness. Cap. 8

[ix] Diversos desses casos são descritos em meu livro Empresiliente! Prosperando em um Mundo de Incertezas, disponível em https://www.amazon.com.br/Empresiliente-Prosperando-Mundo-Incertezas-Empresa/dp/6588616023/ref=tmm_pap_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=&sr=

[x] Estamos evolutivamente habituados a isso, já que passamos 95% de nossa história vivendo em pequenos bandos de caçadores-coletores onde não havia chefes e os comportamentos eram regulados feita pelo próprio grupo.

[xi] Fonte: Rydahl, M. (2017). Happy as a Dane: 10 Secrets of the Happiest People in the World. WW Norton & Company. Este caso é reportado em https://corporate-rebels.com/traffic-light-or-roundabout/

[xii] Fonte: https://slate.com/human-interest/2009/07/american-drivers-should-learn-to-love-the-roundabout.html. Vale a pena destacar que o fato de as rotatórias parecerem ser mais perigosas é algo positivo: isso faz com que os motoristas se tornem mais vigilantes ao dirigir. Adicionalmente, há evidências de que uma solução ainda mais radical pode levar a um resultado superior: simplesmente desligar as luzes dos semáforos. Foi isso que Amsterdã fez em vários de seus cruzamentos. O resultado? 60% das pessoas entrevistadas afirmam que a situação melhorou, enquanto o número de acidentes continuou muito baixo. Segundo uma matéria do jornal inglês The Guardian, as pessoas afirmaram que a interação humana aumentou, com maior comunicação visual, por gestos ou expressões das pessoas ao se aproximarem dos cruzamentos. Como resumiu um ciclista: “As pessoas passaram a prestar mais atenção umas às outras e a se comportarem melhor. É incrível como se autorregula!”. Fonte: https://www.theguardian.com/environment/bike-blog/2017/sep/22/what-happens-if-you-turn-off-the-traffic-lights. Para mais informações sobre as vantagens de se retirar as sinalizações de trânsito, leia sobre o trabalho do holandês Hans Monderman e veja https://www.bloomberg.com/news/articles/2011-09-22/removing-signals-and-signs-from-intersections-just-might-make-us-safer

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Professional speaker, business thinker and founder of Virtuous Company, a top management consultancy on corporate governance, culture, leadership, and purpose.

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Alexandre Di Miceli

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